A Casa António Sérgio, em Lisboa, foi reconhecida pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI) como Património Cultural Cooperativo, passando a integrar o conjunto de lugares que testemunham a história, os valores e o legado do movimento cooperativo a nível internacional.
A decisão foi anunciada durante a Conferência Mundial da ACI, que decorreu no Panamá, nos dias 16 e 17 de setembro de 2026, sob o tema «Construir pontes: contributos cooperativos para um mundo mais pacífico».
Projetada pelo arquiteto Raul Lino, a Casa António Sérgio foi residência de António Sérgio (1883–1969), uma das figuras de referência do pensamento português do século XX, cujo percurso se destacou nas áreas da educação, da democracia, da cidadania e do cooperativismo.
Atualmente, a Casa António Sérgio encontra-se sob a gestão da CASES, que assegura a preservação e disponibilização do seu importante património documental e bibliográfico. O acervo inclui a biblioteca pessoal de António Sérgio, o seu espólio documental e outras coleções de interesse para a história do Cooperativismo, bem como a Biblioteca de Economia Social, anteriormente ligada ao INSCOOP.
Mais do que um espaço de memória associado a uma personalidade, a Casa António Sérgio constitui hoje um lugar de conhecimento, documentação, estudo e debate sobre a Economia Social e o Cooperativismo. A preservação e divulgação do seu acervo, inclusive através da digitalização, permitem alargar o acesso a este património e reforçar o seu contributo para a investigação e o conhecimento.
O reconhecimento pela ACI atribui, assim, uma dimensão internacional a um património que cruza memória, pensamento e cultura cooperativa, valorizando a Casa António Sérgio enquanto espaço onde uma parte importante da história do cooperativismo em Portugal permanece acessível às atuais e futuras gerações.
A distinção assume ainda particular significado no contexto da Conferência Mundial de 2026, dedicada ao contributo das cooperativas para um mundo mais pacífico. Neste enquadramento, a Casa António Sérgio representa um legado em que cooperação, educação e cidadania democrática se articulam como dimensões fundamentais de uma sociedade mais participativa, plural e solidária.
Um património que preserva a memória cooperativa e mantém vivo o conhecimento para o futuro.